Já ouvi tantas vezes frases como: eu só gosto de música popular, ou, eu só gosto de música erudita. No fim, não é tudo música? Porque dividimos a música em relação ao seu nicho ou ao nosso gosto próprio? Os problemas que estas divisões causam vão além das discussões. Atingem o nosso desenvolvimento musical.

Muitas são as dúvidas quando se fala em ‘encadeamento
harmônico’. Uns dizem que existem muitas regras, outros, que não compreendem as
regras, outros então nem sabem que existem regras.
A verdade é que a prática de encadear os acordes é algo que está, infelizmente, muito fora da
realidade da maioria dos músicos. Exercícios harmônicos, leitura de partitura
(em diversas claves, compassos, e andamentos), contraponto, ou mesmo
conhecimentos históricos da música, são coisas que a maior parte da classe ‘musical’
julga desnecessário.
Mas por quê?
De certa forma, a explicação é simples.
O sistema tonal, que se estabelece firmemente no século
XVIII e perdura até nossos dias, é ao mesmo tempo um vilão e um herói nessa
estória. A utilização das tríades se tornou, com o tempo, algo tão ‘banal’, que
qualquer disposição desses acordes é chamada de encadeamento harmônico’. A difusão da música popular – que é algo que pertence a nossa geração e à passada (séc. XX e XXI) – mostrou que 3 ou 4 acordes são necessários para se criar canções, músicas instrumentais, entre outros. Não que isso seja mentira. Algumas formas musicais do ‘repertório clássico’ são desenvolvidas, as vezes, sobre 2 acordes apenas, mas quando isso acontece, há sempre uma preocupação quanto à banalização.
Ora, vejamos quantas músicas conseguimos encaixar numa
simples seqüencia de 4 acordes, sendo: I – VI – IV – V. Eu mesmo consigo me
lembrar de umas 10, pelo menos, enquanto escrevo aqui. Isso não torna essas
músicas ‘menores’ que outras; jamais. Porém, mostra que não há uma atenção real
sobre o esquema harmônico.
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| Harmonia, Arnold Schoenberg |
Pois bem. O quadro é este, e infelizmente (ou felizmente), não pode, e nem deve, ser mudado. O que é importante salientar: que esse ‘esqueleto harmônico’, que alguns chamariam de pobre, é o suficiente - e ideal - para esta música, que de um modo geral, é feita muito mais com um sentido mercadológico, ou de protesto, do que simplesmente ‘música pela música’.
Visto que o problema
está ligado ao nosso cotidiano, ou seja, ao conflito musical que existe no
nosso dia-a-dia da música de mercado com a música séria (me refiro a qualquer
estilo musical que tenha uma preocupação clara com os diversos aspectos
musicais), é preciso então selecionar o que ouvimos. O estudo da harmonia, que
é o caso aqui, deve estar ligado à nossa escuta, assim como o treina da
escrita, na escola, está ligado à leitura.
Nas próximas postagens sobre encadeamentos, falaremos
estritamente da escrita musical e do desenvolvimento harmônico, com exercícios
e tutoriais.
Não esqueça de deixar seu comentário; sua opínião é importante para nós!
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